Ação, tomada de consciência.
Pedra Grande Inter-Ação Ecológica de Atibaia.
Palestras, mesas-redondas com especialistas em ecologia, panfletos, reuniões, entrevistas em rádio, jornais, contatos com a população, líderes políticos e comunitários, mais de duzentos artigos, passeatas, mutirão de limpeza da Pedra Grande, festas para arrecadação de fundos e promoção. Movimento voltado para o interesse da qualidade de vida da população. Sempre reagindo à fácil rotulação dos ‘ismos’. Mais de dois anos em defesa da Serra da Pedra Grande. Não se pode pensar em bem estar social sem que se esteja de bem com a natureza. E o primeiro passo é deixa-la como está, sem tratores que a rasguem, sem concretagens, nem o pisoteamento das ondas dos passos turísticos. Preferimos o ‘rural serrano’ sugerido pelo professor Aziz.. Lutamos pelo reconhecimento da Serra como nosso patrimônio maior, ao lado do clima, da água, das raízes culturais. Estamos muito preocupados, também, com o alimento cultivado em nossas terras. Somos contra o uso indiscriminado dos venenos agrícolas. Quanto à Serra e à natureza de Atibaia, não nos atraem os cartões postais, coloridos mas sem vida. Estamos atentos e contamos com a população na luta preservacionista da natureza e seus espaços. Queremos a mais livre movimentação, sem excesso de fiscalização e placas proibitivas. É preciso educar desde cedo – e educação é um processo – na fundamental questão ambiental. Já em nosso manifesto de 14 de agosto de 1981 pedíamos um Plano Diretor para a cidade. No Plano se deverá prever qualquer obra antiecológica. O processo ambientalista e cultural da cidade não se esgota com o tombamento, ao contrário, assinala a maior responsabilidade da população em garantir o que consquistou. É marco fundamental da fase em que é devolvido à população o legítimo controle de seu destino, bem como da sorte de seu meio ambiente. As idéias que nos norteiam pressupõem os princípios ‘ecologia’, ‘autonomia individual e dos grupos sociais’, ‘preservação ambiental’, ‘descentralização administrativa visando contribuir para a implantação de uma democracia concreta.
Maio de 1983, ano da Pedra Grande.
(*Trecho do panfleto: Da ameaça ao tombamento.)
Na tela, entrevistas com participantes do movimento trabalhadas a partir de fotografias históricas recuperadas no acervo de Euclides Sandoval. O projeto audiovisual realizou levantamento, limpeza e digitalização dos negativos fotográficos produzidos à época, ilustrando os principais eventos que marcaram a luta do movimento. A pesquisa também mapeou o acervo de textos e recortes de jornal que formam uma detalhada documentação sobre as atividades do movimento. Na trilha sonora o vídeo conta ainda com a musicalidade do conjunto Pedra 90 e sambas originais em homenagem a Atibaia criados pelos compositores João Benedito Batista Cintra “Joca” e Sebastião Lucio de Souza.
Com imagens, sons e sensibilidades o vídeo pode valorizar a importância de se continuar preservando, a cada geração, este patrimônio da cidade que reúne em si a materialidade da paisagem e da biodiversidade assim como a sensível experiência do contato com a natureza.. Pois a área influi diretamente na vida de todos os moradores da cidade, na qualidade do ar, da água, do som e do olhar. A luta coletiva travada há quase trinta anos motiva-se tempo presente, quando a causa permanece em tensão. Incêndios assaltam a Serra do Itapetinga e há debates sobre a especulação imobiliária em seu entorno. Alertas para a necessidade de envolvimento permanente.
Causa ética e estética, defender a Pedra Grande deve manter-se como interesse maior de Atibaia, sob pena de ter desfigurado seu rosto, sob a pena de perder sua identidade. Pois a devastação ambiental gera cicatrizes que não desaparecem.
Memórias em movimento na Câmara Clara
Assim como o presente está em movimento constante, as lembranças, as construções sobre o passado, também se alteram, se refazem. No movimento do olhar o instante congelado de uma fotografia e na imagem em movimento do vídeo, gira o caleidoscópio da memória, re-configurando nossas percepções do tempo.
A Câmara Clara – Instituto de Memória e Imagem – é uma associação cultural sem fins lucrativos sediada em Atibaia-SP desde 2007. Congrega pesquisadores e artistas dos estados de São Paulo, Santa Catarina e Paraná. A atuação está focada na realização de projetos de pesquisa e produção cultural ligados ao registro, preservação e difusão do patrimônio material - acervos fotográficos - e imaterial - documentários em vídeo sobre narrativas de memórias. Relações entre memória e imagem, pesquisas e práticas em oficinas, entrevistas, exposições, artigos, produção e circulação audiovisual.
Parte-se das experiências de vida - memórias, narrativas e artes do fazer – para sua articulação com o universo imagético – a fotografia e o vídeo. A fotografia enquanto recurso ativador da memória, revelador de imaginários, fragmentos e vestígios de um real visível para sempre desaparecido; o vídeo enquanto ferramenta de registro das narrativas de memória, expressas na voz, no corpo e no gesto dos entrevistados.
Entre os projetos realizados em Atibaia destaca-se a recente edição de Cadernos do Beiral, livro de Euclides Sandoval. E os documentários “Portais”, memórias do bairro do Portão; memórias sonoras do conjunto Pedra 90 “A Corda é o Samba”, “Pedra 90 é Pedra 90” e “Palhinha”; “Folia com Bonecões”, carnaval de rua no centro histórico.
Ficha técnica
Pedra Grande.doc, documentário em vídeo digital, 38 minutos, 2009, Atibaia-Sp.
Direção, fotografia, câmera e edição Daniel Choma
Projeto e Produção Tati Costa
Fotografias históricas Euclides Sandoval
Realização Câmara Clara - memórias em movimento
Patrocínio Prefeitura da Estância de Atibaia | Secretaria de Cultura e Eventos
Edital de Premiação a Projetos Artísticos e Culturais | Orçamento Participativo 2008
O quê?
Exibição de lançamento do documentário PEDRA GRANDE.DOC. Entrada franca.
Quando?
Sexta-feira, 31 de julho, às 19h30 .
Onde?
Praça Claudino Alves (Matriz) - Centro – Atibaia, SP | Informações: 11 4414-2119 4412-7776
Contato
Mais em www.camaraclara.org.br







