No documentário, memórias do Movimento em Defesa da Serra da Pedra Grande, que articulou moradores da cidade e simpatizantes da causa ecológica no final da década de 1970 (formalizando-se como organização da sociedade civil, a Pedra Grande Inter-Ação Ecológica de Atibaia, em 1982). Com engajamento numa proposta abrangente sobre a relação entre homem e natureza, o movimento promoveu diversas atividades que debatiam questões ambientais numa época em que a temática era ainda incipiente. Um processo que se inicia a partir da denúncia de extração de blocos de granito da Serra e passa por um amplo envolvimento de vários setores da sociedade cobrando uma atuação formal da prefeitura. Resulta no tombamento da Serra do Itapetinga, em 1983, como patrimônio paisagístico pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do estado de São Paulo).


Ação, tomada de consciência.

Pedra Grande Inter-Ação Ecológica de Atibaia.
Palestras, mesas-redondas com especialistas em ecologia, panfletos, reuniões, entrevistas em rádio, jornais, contatos com a população, líderes políticos e comunitários, mais de duzentos artigos, passeatas, mutirão de limpeza da Pedra Grande, festas para arrecadação de fundos e promoção. Movimento voltado para o interesse da qualidade de vida da população. Sempre reagindo à fácil rotulação dos ‘ismos’. Mais de dois anos em defesa da Serra da Pedra Grande. Não se pode pensar em bem estar social sem que se esteja de bem com a natureza. E o primeiro passo é deixa-la como está, sem tratores que a rasguem, sem concretagens, nem o pisoteamento das ondas dos passos turísticos. Preferimos o ‘rural serrano’ sugerido pelo professor Aziz.. Lutamos pelo reconhecimento da Serra como nosso patrimônio maior, ao lado do clima, da água, das raízes culturais. Estamos muito preocupados, também, com o alimento cultivado em nossas terras. Somos contra o uso indiscriminado dos venenos agrícolas. Quanto à Serra e à natureza de Atibaia, não nos atraem os cartões postais, coloridos mas sem vida. Estamos atentos e contamos com a população na luta preservacionista da natureza e seus espaços. Queremos a mais livre movimentação, sem excesso de fiscalização e placas proibitivas. É preciso educar desde cedo – e educação é um processo – na fundamental questão ambiental. Já em nosso manifesto de 14 de agosto de 1981 pedíamos um Plano Diretor para a cidade. No Plano se deverá prever qualquer obra antiecológica. O processo ambientalista e cultural da cidade não se esgota com o tombamento, ao contrário, assinala a maior responsabilidade da população em garantir o que consquistou. É marco fundamental da fase em que é devolvido à população o legítimo controle de seu destino, bem como da sorte de seu meio ambiente. As idéias que nos norteiam pressupõem os princípios ‘ecologia’, ‘autonomia individual e dos grupos sociais’, ‘preservação ambiental’, ‘descentralização administrativa visando contribuir para a implantação de uma democracia concreta.
Maio de 1983, ano da Pedra Grande.

(*Trecho do panfleto: Da ameaça ao tombamento.)

Na tela, entrevistas com participantes do movimento trabalhadas a partir de fotografias históricas recuperadas no acervo de Euclides Sandoval. O projeto audiovisual realizou levantamento, limpeza e digitalização dos negativos fotográficos produzidos à época, ilustrando os principais eventos que marcaram a luta do movimento. A pesquisa também mapeou o acervo de textos e recortes de jornal que formam uma detalhada documentação sobre as atividades do movimento. Na trilha sonora o vídeo conta ainda com a musicalidade do conjunto Pedra 90 e sambas originais em homenagem a Atibaia criados pelos compositores João Benedito Batista Cintra “Joca” e Sebastião Lucio de Souza.

Com imagens, sons e sensibilidades o vídeo pode valorizar a importância de se continuar preservando, a cada geração, este patrimônio da cidade que reúne em si a materialidade da paisagem e da biodiversidade assim como a sensível experiência do contato com a natureza.. Pois a área influi diretamente na vida de todos os moradores da cidade, na qualidade do ar, da água, do som e do olhar. A luta coletiva travada há quase trinta anos motiva-se tempo presente, quando a causa permanece em tensão. Incêndios assaltam a Serra do Itapetinga e há debates sobre a especulação imobiliária em seu entorno. Alertas para a necessidade de envolvimento permanente.

Causa ética e estética, defender a Pedra Grande deve manter-se como interesse maior de Atibaia, sob pena de ter desfigurado seu rosto, sob a pena de perder sua identidade. Pois a devastação ambiental gera cicatrizes que não desaparecem.

Memórias em movimento na Câmara Clara

Assim como o presente está em movimento constante, as lembranças, as construções sobre o passado, também se alteram, se refazem. No movimento do olhar o instante congelado de uma fotografia e na imagem em movimento do vídeo, gira o caleidoscópio da memória, re-configurando nossas percepções do tempo.

A Câmara Clara – Instituto de Memória e Imagem – é uma associação cultural sem fins lucrativos sediada em Atibaia-SP desde 2007. Congrega pesquisadores e artistas dos estados de São Paulo, Santa Catarina e Paraná. A atuação está focada na realização de projetos de pesquisa e produção cultural ligados ao registro, preservação e difusão do patrimônio material - acervos fotográficos - e imaterial - documentários em vídeo sobre narrativas de memórias. Relações entre memória e imagem, pesquisas e práticas em oficinas, entrevistas, exposições, artigos, produção e circulação audiovisual.

Parte-se das experiências de vida - memórias, narrativas e artes do fazer – para sua articulação com o universo imagético – a fotografia e o vídeo. A fotografia enquanto recurso ativador da memória, revelador de imaginários, fragmentos e vestígios de um real visível para sempre desaparecido; o vídeo enquanto ferramenta de registro das narrativas de memória, expressas na voz, no corpo e no gesto dos entrevistados.

Entre os projetos realizados em Atibaia destaca-se a recente edição de Cadernos do Beiral, livro de Euclides Sandoval. E os documentários “Portais”, memórias do bairro do Portão; memórias sonoras do conjunto Pedra 90 “A Corda é o Samba”, “Pedra 90 é Pedra 90” e “Palhinha”; “Folia com Bonecões”, carnaval de rua no centro histórico.

Ficha técnica
Pedra Grande.doc, documentário em vídeo digital, 38 minutos, 2009, Atibaia-Sp.
Direção, fotografia, câmera e edição Daniel Choma
Projeto e Produção Tati Costa
Fotografias históricas Euclides Sandoval
Realização Câmara Clara - memórias em movimento

Patrocínio Prefeitura da Estância de Atibaia | Secretaria de Cultura e Eventos
Edital de Premiação a Projetos Artísticos e Culturais | Orçamento Participativo 2008

SERVIÇO

O quê?
Exibição de lançamento do documentário PEDRA GRANDE.DOC. Entrada franca.

Quando?
Sexta-feira, 31 de julho, às 19h30 .

Onde?
Praça Claudino Alves (Matriz) - Centro – Atibaia, SP | Informações: 11 4414-2119 4412-7776

Contato

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